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Poços, calçamentos e casas têm verbas desviadas em cidades do Piauí, denuncia Força Tarefa Popular

terça-feira, 19 de julho de 2011

/ Edivan Gonçalves
O coordenador da ong Força Tarefa Popular, advogado Arimatéia Dantas, relacionou uma série de obras não construídas em vários municípios do Piauí e elenca as principais conquistas da Marcha Contra a Corrupção nestes dez anos. Esta semana a Força Tarefa Popular está percorrendo até o dia 28 deste mês mais dez municípios da região semiáriada do estado. "O que a gente pode perceber é quanto mais afastada a comunidade é da cidade, quanto mais analfabetos, quanto menos informações tem a comunidade, é lá que eles preferem planejar aquelas obras que jamais serão feitas".   
Quais as principais conquistas dos dez anos de marcha
Tem uma questão que é mais cultural e outra que é mais de resultados concretos e de vitórias. Na primeira agente pode dizer que a população hoje que é possível lutar contra a corrupção e que as pessoas estão se dispondo a fazer. A sociedade começa a perceber que é possível mudar e construir essa nova cultura e para isto nós estavamos fazendo a nossa parte e apresentando resultados. O segundo ponto, são as vitórias, tidas a partir das denúncias que nós fizemos. Por exemplo, nós temos muitos poços que descobrimos que estavam com prestações de contas feitas, declaradas e não estavam sendo feitos. Poços, como no município de Buriti dos Montes, Castelo do Piauí, por exemplo. Nós conseguimos, após nossas denúncias, fazer com que as autoridades tomassem providências e os poços fossem concluidos
Que outros casos tem de desvios na questão da água?
Um caso mais recente foi quanto ao abastecimento d'água, em Picos, na comunidade Mirolândia, onde moram 300 famílias e mais de de 30 anos vivia esse dilema da falta de água e havia um projeto de cavação de poços, caixa d'água e canalização da água e, que estava parado, portanto uma obra deficitária, quando inclusive, a caixa d'água, por exemplo ameaçava cair. Nós denunciamos ao Ministério Público Federal e ao Estadual e dois meses depois a prefeitura resolveu o problema e hoje a água está na casa das pessoas. Podemos citar as ruas, por exemplo, de Simplício Mendes, quando encontramos as prestações de contas feitas sem elas existirem. E, hoje, após nossas denúncias, está o povo, onde tinha lama tem agora calçamentos.
Tem muito roubo em reformas de escolas?
Haviam nas prestações de contas as melhorias, que nunca foram feitas e que após nossas denúncias elas, em muitos lugares, foram finalmente construídas
E na saúde?
Encontramos irregularidades como no munícipio de Miguel Leão e que após nossas denúncias foram construidas. Nesta área temos encontrado problemas é na questão do combate a Doença de Chagas. As melhorias habitacionais, nós temos denunciado, e as pessoas não estão sendo contempladas. Em Aroazes, por exemplo, nós denunciamos um projeto de melhoria sanitária, que era para construir, fazer toda a questão das fossas, aparelhos sanitários. O dinheiro havia chegado e nada tinha sido feito na comunidade Boqueirão. Depois da denúncia foram construídas todas as 45 fossas e feita a melhoria sanitária, que aliás levou saneamento para aquela comunidade, que as fezes eram jogadas ao relento. Sem falar que as mulheres lavadeiras que aliviaram mais os problemas na coluna, que lavanderias foram instaladas também.
Tiveram casos de denúncias que repercutiram em nível nacional?
Foi a denúncia que fizemos em relação ao conjunto habitacional Miguel Calume, em Floriano. Um conjunto que fora feito pela metade, depois ocupada parte das casas e a denúncia foi feita ao TCU, que nos comunicou através de ofício que estava analisando o caso e que caso como esse era comum no Brasil, no caso de conjuntos habitacionais - nós estamos falando de 300, 400 casas - que paravam de ser construidos pela metade e ficavam abandonados e o prejuizo. Havia a questão do desvio do dinheiro, a malversação e também a obra parada podendo está resolvendo o problema de centenas de famílias. Então, a partir desta denúncia, o TCU tomou posição de levar em nível nacional, a deliberação de autorizar a continuidade da obra com mais recursos e retomar novamente as obras, indepenentemente da punição dos responsáveis.
Em resumo o que a gente percebeu dessas vitórias foi o grande desvio de verbas relativas ao convívio com a seca: pocos tubulares, barragens, cisternas. São coisas que realmente são inacreditáveis. O que a gente pode perceber é quanto mais afastada a comunidade é da cidade, quanto mais analfabetos, quanto menos informações tem a comunidade, é que eles preferem planejar aquelas obras que jamais serão feitas.  
 
Fonte: Acesse Piauí

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