NOVO CLUBE DAS CLASSES PRODUTORAS: 22 trabalhadores foram resgatados na obra em THE
Um total de 22 trabalhadores da construção civil foram resgatados, no
início deste mês, na obra da nova sede do Clube das Classes Produtoras
do Piauí, localizada no KM 10 da BR-343, em Teresina. Auditores fiscais
da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego atestaram condições
degradantes no ambiente de trabalho, que configuram situação análoga à
de escravo. O Ministério Público do Trabalho no Piauí ajuizou uma ação
civil pública em que pede que sejam aplicadas multas por dano moral
coletivo tanto da construtora responsável pela obra quanto do
proprietário da mesma.
Na ocasião da inspeção, os auditores fiscais encontraram os
trabalhadores em alojamentos sem qualquer condição de higiene e
conforto, sem banheiro, sem água potável e sem carteira de trabalho
assinada. Eles também não possuíam nenhum tipo de equipamento de
proteção individual.
Após conversar com os operários, o auditor fiscal Francisco Luís Lima
verificou que eles foram arregimentados e trazidos a maioria do
município de Barras para trabalharem em Teresina, atraídos pela promessa
de boa oportunidade de trabalho. A procuradora do Trabalho Maria Elena
Rêgo, que acompanhou a fiscalização, afirmou na ação civil pública: “São
pessoas simplórias, sem qualificação profissional, que sempre
trabalharam na informalidade e que não possuem conhecimentos mínimos
para questionar as péssimas condições de trabalho a que foram
submetidos”.
Durante a ação, foram recolhidos os documentos dos trabalhadores para
avaliar a real situação da irregularidade relatada por eles. Após fazer
os cálculos, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego
apresentou a construtora o total das verbas trabalhistas (salário,
férias, décimo terceiro e verbas rescisórias) a serem pagas aos
trabalhadores da obra. No dia 9 de abril, a construtora pagou todos os
trabalhadores e foi obrigada a devolvê-los ao município de origem. Todos
irão receber seguro-desemprego, já que a lei prevê este benefício a
trabalhadores resgatados em situação análoga à de escravos.
O MPT chamou o presidente das Classes Produtoras e o dono da
construtora para negociar um valor a ser pago a título de dano moral
individualizado e de dano moral coletivo. Como não houve acordo, a
procuradora Maria Elena Rêgo ajuizou a ação, que foi protocolada na
última quarta-feira no Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região.
“Estamos pedindo que o dano moral coletivo seja revertido em cursos
profissionalizantes destinados a trabalhadores resgatados com o objetivo
de incluí-los no mercado de trabalho formal”, afirmou a procuradora.
Esses cursos fazem parte do projeto “Resgatando a Cidadania”, da
Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do MPT.
O MTE encaminhou o relatório da fiscalização também para o Ministério
Público Federal, onde serão apuradas as responsabilidades pelo artigo
149 da Constituição Penal, que trata como crime a redução do trabalhador
à condição análoga à de escravo.
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