Preço da água varia de R$ 8 a R$ 200 reais no município de Marcolândia
A seca que assola o Piauí é muito forte na região Sudeste do Estado, especialmente, no entorno de Picos. Em visita ao município de Marcolândia, situado em uma região de serra, a equipe do 180graus se deparou com carros pipas e carroças carregando água em muitas ruas da cidade.
O município de Marcolândia possui cerca de 60 fábricas de farinha de mandioca, que estão em baixa devido à seca. A produção caiu a ponto da grande maioria delas estarem fechadas, de acordo com o vereador Joel Coutinho, presidente da Câmara. Para ele, a cidade é diferente porque fica em região de serra e, portanto, não tem barragem. “Em várias ruas da cidade, encontramos carros pipas e carroças carregando água. A cidade está a mercê do carro pipa”, detalha.
Ele conta ainda sobre a situação que encontrou no interior. “Muitas casas nas quais chegamos, no período da campanha, tinha alimento, mas não tinha água suficiente para cozinhar o alimento. As pessoas tinham que escolher entre beber ou usar a água para preparar a comida”, contou.
Vereador Joel Coutinho, presidente da Câmara de Marcolândia
PIPAS E CARROÇAS
O pipeiro José Heleno trabalha há mais de 1 ano com carro pipa e conta que faz de 4 a 5 viagens por dia. “A seca é grande. Quando a gente chega o povo pede água”, frisa. José é credenciado pela Defesa Civil e diz que o povoado mais seco em Marcolândia é o Serra da Marcolândia, a 13 km da sede.
José Heleno trabalha como pipeiro há mais de um ano
Já o jovem de 17 anos, Maílson de Oliveira, vende água a R$ 8 reais o tambor. Há cerca de 5 anos ele trabalha no negócio que é do seu tio Edimilson. “A água é boa, vem do poço do Cavaco, no Pernambuco”, diz.
Maílson carrega água desde muito pequeno e conhece bem o drama da seca
SONHO DA ÁGUA ENCANADA
“É seca demais, é na carroça ou no carro pipa, a gente quer é água”, declarou a moradora Maria de Jesus, conhecida como Telma de Badé, que é técnica de saúde. Ela conta que são quatro pontos com água disponibilizados pela prefeitura. “Não tem pipas nas casas, minha filha de 17 anos tem que carregar água na cabeça. Uma carrada custa R$ 200,00. A carroça com água custa R$ 16,00. A gente compra e coloca na cisterna, pior quem não tem nem cisterna pra armazenar água”, lamenta.
Dona Telma de Badé espera pela água encanada
A técnica de saúde também diz que fica preocupada porque o pessoal das fábricas não recebeu Seguro Safra. “Eles vivem da mandioca e, na seca, tudo parou”, ressalta.
Segundo a estudante Lohany de Jesus, desde 2001 que prometem água encanada. Todos na cidade falam sobre a falta de encanamento. De acordo com o presidente da Câmara, a tubulação está pronta há 3 anos, mas falta o bombeamento. “A obra estava embargada e foi liberada há pouco tempo”, revela.
MIGRAÇÃO É COMUM
A primeira-dama e secretária de Educação, Armandina, também se sensibiliza com a seca: “Nosso povo é igual a vegetação, parece que está morta, seca, mas bastam as primeiras chuvas que ela renasce e assim é o povo. Basta chover que eles voltam para sua terra”. A primeira-dama conta que é comum ônibus saindo da cidade, lotado de gente, migrando para o Mato Grosso.
NOS MUNICÍPIOS VIZINHOS
De acordo com o prefeito de Alagoinha do Piauí, Dr. Pedro Otacílio: “Quando Piaus secar, em um mês, Alagoinha fica sem água”. Ele conta que são cerca de 60 poços, mas que muitos quebram, queimam bombas, devido ao esforço maior neste período.
SOLUÇÕES
O governador Wilson Martins visitou a Barragem do Estreito, no município de Francisco Macedo, para entrega de kits para a Associação de Piscicultura de Francisco Macedo, dia 14 de março. Durante a visita, o governador disse que o programa de incentivo as ações como piscicultura, agricultura familiar, distribuição de kits de apicultura, de mudas de caju e patrulhas mecanizadas não resolvem, mas aliviam o problema da seca. Wilsão explicou que os primeiros beneficiados são os municípios com maior área de plantio disponível e com as 10 maiores barragens. “Queremos dá condições dignas de trabalho para estes homens e mulheres”, disse o governador. Wilson Martins explicou que além de todo aparato entregue, como barco, balanças, fábrica de gelo, a Associação de Piscicultura recebeu ração para os primeiros 6 meses.
O governador anunciou que foi aprovado na Codevasf o projeto para duas adutoras. Sendo R$ 27 milhões investidos na adutora da barragem o Estreito. “A cidade de Jaicós está sofrendo muito com a seca desde que o açude Tiririca secou, então o governador anunciou essa grande notícia de que teremos duas adutoras. Uma adutora que levará água da Barragem do Estreito para Jaicós e outra que trará água da Barragem Poço Maruá. Então, é uma grande notícia e nós só temos que agradecer. O povo de Jaicós está passando por uma grande seca e nós queremos que essa solução chegue ainda este ano”, afirmou a prefeita Waldelina Crisanto.
Andreia Sousa, Ângella Santos e Isabel Ribeiro – Direto de Marcolândia
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