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Mineração ameaça expulsar famílias sem pagar as indenizações justas em Curral Novo e Paulistana

terça-feira, 4 de junho de 2013

/ Edivan Gonçalves

Imagem: Simões na Net

Famílias de Curral novo são ameaçadas de expulsão
Moradores das pequenas comunidades  Baixio dos Belos e Contente, nos municípios de Curral Novo e Paulistana, no semiárido do Piauí, respectivamente,  talvez sejam dos poucos piauienses que não estão eufóricos com a descoberta de jazidas de minérios de ferro na região e a instalação de uma ferrovia para transportar esse minério. Esses moradores, a maioria gente humilde, estão  mesmo é temerosos de perder as suas terras e ficarem desamparados sem ter para onde ir,  recebendo uma miséria de indenização. A situação nos dois municípios é tensa e há inclusive denúncias de que morador já morreu após ser enganado na hora de receber o dinheiroda desapropriação das terras.

Nos últimos 30 dias, o Baixio dos Belos, uma comunidade de cerca de 80 pessoas localizada a 40 quilômetros da sede Curral Novo, onde nem a energia elétrica chegou ainda, foi invadida por forasteiros dos mais diferentes tipos, colocando o povoado no “olho do furacão da mineração”. A maioria deles está à procura de terras para especulação e usa os mais diferentes meios para enganar a população desinformada. O povoado fica a menos de 9 quilômetros do local onde foi descoberta a maior jazida de ferro do Piauí e poderá desaparecer.


Alarmados com a situação, os moradores, depois de esperarem uma ajuda que nunca veio por  parte das autoridades, estaduais e municipais, recorreram à Igreja que através de cinco padres da região e do envolvimento pessoal do bispo de Picos, Dom Plinio Luz, estão chamando a atenção da população do Estado do País, para o que eles consideram o que será a maior  injustiça já praticada no Piauí: a expulsão das famílias com a perda das suas terras e da suas histórias de vida.


Um dos problemas mais graves é enfrentado pela dona-de- casa Teresina Isaura Feitosa Silva, 62 anos, do Baixio dos Belos.  Proprietária  de cerca de 50 hectares de terras, a idosa denuncia que de um dia para o outro viu a sua casa ser invadida por um advogado identificado por Lobão que de todas as maneiras tentava convencê-la a assinar uma procuração para que ele vendesse as suas terras com uma comissão de 20%.


O detalhe, segundo Maria do Socorro Feitosa Silva, filha de Isaura e presidente da Associação dos Moradores do Baixio dos Belos, é que a mãe, assim como muitos outros moradores, nunca disse que queria vender as suas terras.


Isaura e o marido contam que de tanto investir contra eles,  o suposto advogado acabou convencendo-a a assinar a procuração. Dois dias depois, Isaura se arrependeu, procurou Lobão, que disse que “agora não tinha mais jeito”, ou seja, ela terá as terras vendidas sabe-se lá por qual valor, mesmo não querendo se desfazer dos seus bens.


Desesperada, Isausa  fez um apelo através da reportagem do DP que esteve no povoado na quinta-feira(30). “Quero que alguma autoridade obrigue este advogado a me entregar a procuração porque eu não quero vender nada”, disse.


Os moradores contaram ainda a história de uma outra dona de terras que está sendo assediada pelo suposto advogado. Identificada apenas como “Neta”, ela reside no povoado Juá e seria dona de cerca de 800 hectares de terras onde fica parte das reservas do minério. Ao contrário de Isaura, Neta está resistindo as investidas de Lobão que ameaçou-a, dando um prazo de apenas 30 dias para que  ela assine a procuração de vendas das terras.


Muitas das famílias do Baixio dos Belos acreditam que tanto Lobão quanto outras pessoas que apareceram em busca de terras estão a serviço das grandes mineradoras ou mesmo de grandes grupos financeiros dispostos a conseguir as terras baratas. Esse pensamento é reforçado pelo fato de Lobão viver argumentando que nas terras de Isaura não têm minério, mas mesmo assim insiste em querer que a idosa venda a sua gleba.


O povoado, de difícil acesso, (são 40km em uma estrada carroçável) de uma hora para outra viu chegar dezenas de carrões, em contrastes com os poucos veículos velhos e as dezenas de motos do lugar.


Diário do Povo

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